Quer um conselho?

Certamente quem me lê já ouviu algum dia a frase: “…você demonstrou boa vontade em ouvir conselhos assim como em dar conselhos”. Essa, como sabemos, faz parte da Cerimônia de Posse pública de Mestre Conselheiro (Capitular, Regional, Estadual, Nacional), ou seja, do “líder do grupo” (como a Cerimônia coloca) durante certo período administrativo. Sabemos, por fim, que o cargo de Mestre Conselheiro, de “líder do grupo” é, evidentemente, a função de presidente. Então, por que não usamos essa nomenclatura? Por que Conselheiro? O que o líder DeMolay tem que o difere dos outros?

Na nossa estrutura mais básica, nos Capítulos, a tríade é composta por três Conselheiros: Mestre, Primeiro e Segundo. Sabemos que se trata de um Presidente e de dois Vice-Presidentes, mas chamá-los e tê-los como Conselheiros faz toda diferença! O primeiro aspecto que devemos analisar é que fazemos parte de uma fraternidade na qual camaradagem, companheirismo e irmandade são noções centrais e norteadoras de tudo. Logo, na lida com nossos amigos, tratamo-los com conselhos, sem imposições ou taxações, mas orientando sobre qual a melhor forma de proceder.

Outro aspecto interessante a ser notado é a construção coletiva do todo quando trabalhamos em conjunto com conselhos. Em outras palavras, trabalhar com conselhos exige, no mínimo, uma maior interação entre as partes envolvidas nas deliberações diversas que devem ser tomadas. A participação, em geral, de todos no que é de interesse de todos é bem maior, mesmo havendo um Mestre dos Conselhos que deve, enfim, ser o último a falar. Destaco que isso não exala, em momento algum, ditadura ou imposição, mas sim uma postura necessária a todo chefe, a todo líder, a todo guia. Ao Mestre Conselheiro, com sua visão do todo característica do líder, cabe a decisão final a partir da ponderação de todos os conselhos ouvidos e debatidos. Sem ele, enfim, faltar-nos-ia a “cabeça”.

O terceiro e último aspecto que desejo evidenciar nesta reflexão é, justamente, o aspecto reflexivo que a Cerimônia traz sobre ao Mestre Conselheiro: ele está onde está porque soube OUVIR e DAR conselhos. Relembrando nossa última postagem, sobre os exemplos, temos novamente destacado que os jovens DeMolays são ensinados a ouvir: pais, maçons, irmãos e até mesmo a própria História, com as lições de vida de diversos personagens, como Jacques DeMolay. Ouvir conselhos, daqueles que temos como exemplo, poupa-nos algumas tendências ao erro e ao fracasso. Ouvir é, em suma, também um ato de humildade, por reconhecer que há outros mais capacitados ou, no mínimo, com mais experiência de vida para nos orientar a respeito de determinadas situações – novas e inusitadas, que nos causa estranheza.

E o dar conselhos resume, pois, o que é liderar dentro da Ordem DeMolay. Nossos líderes, amparados em nossas Virtudes e demais princípios, diferenciam-se ainda por trabalharem com conselhos. Entendam, as características formais, legais e coercitivas do cargo dão força ao cumprimento das solicitações dos nossos Mestres, mas nós cumprimos, especialmente, pelo tratamento de camaradagem expresso em conselhos. Atendemos, em suma, porque é nosso irmão, nosso semelhante que está pedindo e essa é a vez dele em dar conselhos… E a nossa em ouvi-los!

Estou longe de ser, Senhores, a pessoa mais habilitada para falar de liderança dentro de nossa Ordem – sou apenas um discípulo de muitos homens bons. Com meus quase sete anos (completo próximo mês) de Ordem DeMolay, meus cargos de Conselheiro foram 2C (por quatro gestões administrativas), MC (por uma) e, agora, MCE (nesta gestão administrativa da Liderança Juvenil do Piauí). Percebo sempre e cada vez mais que minha obrigação em ter bons conselhos e em servir de exemplo apenas cresce. E, proporcionalmente, cresce também a minha postura de humildade ao me colocar em situações inusitadas em que preciso recorrer a outros Conselheiros… Quero evidenciar, enfim, que dentro da Ordem – e até mesmo na nossa vida profana – a nossa formação nunca está completa; que sempre vamos ouvir e dar conselhos; que liderar é sinônimo de servir, de aconselhar e que tudo é transitório – mas nem por isso podemos ser inconsequentes em nossos conselhos.

Para não me prolongar mais, deixarei para falar sobre a nossa (in)aptidão para ocuparmos cargos diferentes e “crescermos” dentro da Ordem em outro momento. Encerro, contudo, apenas lembrando que a nossa Ritualística reforça tudo que aqui está escrito. Nosso Ritual serve como nosso guia maior, por meio do qual extraímos as lições de como nos tornarmos melhores filhos, cidadãos, irmãos, amigos, companheiros, camaradas, exemplos e, enfim, líderes! E, respondendo ao título deste texto: que sejamos sempre bons em ouvir e dar conselhos!

Um comentário em “Quer um conselho?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s