Sobre Ritualística DeMolay

O melhor título para este post seria, certamente, “sobre o que me prendeu tão fortemente à Ordem DeMolay”, mas, para economia de palavras, resumi ao título que vocês estão lendo agora. Quem já teve a curiosidade de passar o olho na seção sobre mim pôde perceber que minha trajetória, no tocante à Ritualística, é muito reincidente: 4 vezes 2C; 3 vezes Secretário Estadual de Ritualística e, agora, Secetrário Nacional de Ritualística. Além, claro, do trabalho que estou desempenhando na Grande Comissão de Treinamentos, presidida pelo querido Ir. Matheus Noronha, também voltado ao estudo e à prática ritualística.

Para (tentar) explicar minha história e essa paixão por nosso Ritual e os estudos a cerca dele, tenho que evidenciar dois fatos: 1º) o conhecimento me fascina; 2º) não tive um bom instrutor quando iniciei. Com o primeiro fato, deixo claro que, perante o conhecimento, precisamos sempre ter a postura de querer saber mais e compreender que nunca saberemos tudo. Então, questiona-se: não é em vão persistir, buscar algo que é sabido nunca se alcançar? Senhores, a sabedoria plena não compete a nós, humanos, contudo é por meio da busca incessamente dela que nos tornamos melhores homens! Aliás, creio ser justamente essa consciência de que sempre temos algo novo a aprender, a desvendar, a perceber que não torna monótona as repetições. Sou novo na Ordem (próximo mês completo 07 anos), mas tenho certeza que assim como os realmente DeMossauros (nome carinhoso com que chamamos nossos irmãos -muito- mais velhos), não há como “cansar” de participar/assistir/auxiliar as Cerimônias da Ordem.

Nesse sentido, quero que os Senhores percebam que não falo de uma beleza puramente exterior, física. Essa, como bem sabemos, é fugaz e passageira. Nosso encantamento pela Ritualística reside justamente em seu aspecto mais elevado e interior, no qual conhecemos sua essência e apreendemos seus significados. Sua “beleza física”, certamente, pode despertar nossa atenção e nossa curiosidade, mas é somente sua “beleza interior” que verdadeiramente nos envolve de forma indelével. Assim, acredito que no meu caso aconteceu: fui despertado pela curiosidade da beleza de nossas Cerimônias e, não tendo um bom instrutor, fui atrás “sozinho” de desvendá-las.

Considero importante, neste momento, esclarecer o que considero um bom instrutor de Ritualística DeMolay para Iniciáticos (tema de um trabalho que estou a desenvolver e em breve será publicado). Com a minha vivência de Ordem, desenvolvi a noção de que um bom instrutor é aquele que, possuindo um domínio básico da Prática Ritualística, sabe não só transmiti-la, como também – e principalmente – despertar em seus instruídos (Iniciáticos) a busca por significados para essa Prática. Em outras palavras, destaco a importância de ser fornecido, ao Iniciático, possibilidades de interpretação e de compreensão de nosso Ritual. Reforço: não falo, aqui, de uma única forma de entendimento, mas sim de embasamentos diversos para as múltiplas formas de entendimento.

A Prática Ritualística, Senhores, é determinada, fixa e imutável. Já a maneira com que compreendemo-la… essa é diversa. Fazendo uma associação com o Direito, teríamos que a letra da Lei Processual determina, de forma precisa, como o Processo deve se desenvolver (quais são suas partes; prazos; onde deve ser iniciado; por quem deve ser iniciado etc); enquanto que, por outro lado, a decisão judicial da autoridade jurídica (o Juiz) é fruto de um processo interpretativo, desprovido de uma receita de bolo ensinando como fazer. O Juiz terá disponível, para tomar sua decisão e fundamentá-la, muitos elementos como as decisões anteriores de outros juízes (jurisprudência), o costume, as tradições, a própria lei, entre outros, mas, no fim, sua conclusão (a decisão judicial) é resultado desse processo interpretativo orientado (e não estritamente determinado).

Com essa associação, quero que os Senhores se coloquem sempre no papel de Juiz ao buscar uma interpretação (solução) para uma Prática Ritualística. As interprações já existentes são importantes? Sim, assim como a Jurisprudência também é. O que o Ritual diz sobre como fazer é importante? Claro, assim como a letra da Lei. Entretanto, tão importante quanto tudo isso são os costumes e as tradições, nossos e de nossos antepassados, que devemos levar em consideração ao formar uma opinião. Mas… para que tudo isso?

Adotando uma visão principiológica do Direito, temos que as normas (leis) guardam em si princípios que objetivam ser defendidos e perpetuados, como forma de manutenção da ordem social. Nessa mesma perspectiva, podemos compreender que nossas práticas ritualísticas encerram em si, também, princípios/ensinamentos/valores/ideais pelos quais nos tornamos verdadeiros DeMolays! Assim, somente compreendendo essa noção última do nosso Ritual, podemos utilizar de sua completa funcionalidade, aplicando no mundo profano os ensinamentos apreendidos (de forma direta ou não) em Sala Capitular e na convivência com os Irmãos.

Para finalizar este post, Senhores, faço uma ressalva. Acompanhem meu  raciocínio. Um bom Juiz, para poder produzir decisões com domínio e com propriedade, precisa de um notável conhecimento técnico (isso, de letra de lei), para só então agir de forma eficaz. De forma análoga, qualquer um que estude nosso Ritual precisa, primeiramente, ter certo domínio da própria prática dele, para, só então, aventurar-se a interpretá-lo e dar significados. Então, Senhores, não desvalorizem jamais o estudo, simples e puro, do que o Ritual diz e traz, pois é somente a partir do domínio de sua prática que conseguimos, realmente, compreendê-lo.

Depeço-me dos Senhores, neste post, reforçando minha disponibilidade sempre e constante a qualquer um de vós. Não abordei nenhum aspecto estritamente de Ritualística porque, enfim, este meio de comunicação não permite, mas estamos sempre a postos para atendê-los nos demais meios de comunicação (deixarei aqui no final). Estudem, Amigos, sempre e intensamente! Só não percam a humildade perante o conhecimento, porque isso torna o sábio em ignorante.

“Sê humilde para evitar o orgulho, mas voa alto para alcançar a sabedoria.” (Santo Agostinho)

Até a próxima! Abraço sincero e fraterno,

Yan Walter

E-mail pessoal: yan.walter@gmail.com

E-mail institucional da Secretaria Nacional de Ritualística: sec.ritualistica@demolay.org.br

E-mail institucional do Gabinete Estadual da Liderança Juvenil do Piauí: mce-pi@demolaypi.org.br

Twitters: @YWalter (pessoal); @GELJ_PI (institucional)

Canal no YouTube

Facebook clicando aqui

2 comentários em “Sobre Ritualística DeMolay

  1. “Qualquer um que estude nosso Ritual precisa, primeiramente, ter certo domínio da própria prática dele, para, só então, aventurar-se a interpretá-lo e dar significados. Então, Senhores, não desvalorizem jamais o estudo, simples e puro, do que o Ritual diz e traz, pois é somente a partir do domínio de sua prática que conseguimos, realmente, compreendê-lo.”
    Yan Walter
    Secretário Nacional de Ritualística

    LEVAREI ESSA PASSAGEM SUA PARA MEU CAPÍTULO ESSA SEMANA!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s