O que eu penso sobre o PACC

Esses últimos dias da minha existência terrestre foram dedicados a elaborar meu segundo trabalho do Programa de Avaliação e Certificação de Cavaleiros (PACC) do Ilustre Rito da Cavalaria Brasileira (IRCB). Em outras palavras, dediquei-me a fazer meu PACC do Grau Cavaleiro da Cruz de Salém. Não vou entrar em detalhes sobre a história do Programa, mas apenas fazer alguns comentários gerais sobre sua estrutura e funcionalidade para poder, então, emitir minha opinião sobre o assunto.

O PACC é um Programa oficializado e regulamentado pelo SCODB através de Decretos, ou seja, há a obrigatoriedade legal de se fazê-lo para ser membro e dar prosseguimento ao IRCB. O Programa faz com que o seu “aluno” estude o Grau que recebeu em diversos aspectos (históricos, simbólicos e ritualísticos, por exemplo) e produza, então, um trabalho escrito (chamado de monografia) demonstrando esse estudo. Um ponto importante é que no trabalho deve constar, em especial, as lições que foram aprendidas com o Grau e como aplicá-las no seu dia a dia. Depois de enviado, o trabalho passa por uma banca de corretores (02 ~ 03 avaliadores) que analisa o trabalho e emite dois conceitos: um quantitativo (a nota) e um qualitativo (comentários sobre o trabalho). Atingindo a média, o candidato é aprovado e está apto para prosseguir no IRCB. Sendo reprovado, o candidato tem total liberdade de refazer seu trabalho e enviá-lo novamente à apreciação.

De acordo com essa exposição, então, podemos perceber que o primeiro trabalho a ser feito é o de Cavaleiro da Capela (primeiro grau do IRCB). Após receber o Grau, o candidato faz o trabalho e, sendo aprovado, pode receber o próximo. Ou seja, até chegar/receber o primeiro Grau do IRCB, o DeMolay não passa (leia-se, não há obrigatoriedde legal) por nenhum exame ou teste similar de proficiência. E é neste ponto, em especial, que reside minha maior crítica. Fazer um trabalho do PACC não é algo difícil ou impossível e o Programa, em si, não apresenta defeitos evidentes. O principal problema, ao meu ver, é a falta de exigências anteriores!

Explico. O DeMolay passa do Iniciático para o Grau DeMolay sem ser cobrado academicamente. Do DeMolay para o Cavaleiro sem nenhuma cobrança também. Do Cavaleiro para Capela, ainda sem cobrança. E, assim que chega ao Capela, tem uma grande exigência! Tudo bem, há de se falar que as exigências do PACC não são “monstruosas”, que a média é baixa, que se dá muita liberdade… Mas, entendam, para quem nunca foi exigido nada, exigir qualquer coisa já é muito! E como eu não fico apenas na área da crítica, apresento minha sugestão.

Não devemos reduzir o nível de exigência do PACC, mas, pelo contrário, introduzir exigências anteriores ao próprio PACC! Em outras palavras, que seja cobrado trabalhos de pesquisa e de estudo do DeMolay desde o princípio. Por que não desde o Grau Iniciático? Por que não para a transição de DeMolay para Cavaleiro? Na preparação do candidato ao Grau DeMolay reconheço que já evoluímos muito. Sempre fui um árduo defensor do exames escritos de proficiência e, felizmente, já vi muito isso se multiplicar pelo Piauí e pelo Brasil. Contudo, depois disso, se estagnou novamente. O Irmão chega ao Grau DeMolay e acha que não precisa mais estudar e/ou que não será mais cobrado. E permanece assim durante duas mudanças de Grau, até se deparar com o PACC Capela.

Pensando nisso, por exemplo, foi que implementamos o Programa de Aprofundamento de Estudos (PAE), que tem dado muito resultado. Já estamos trabalhando em um “upgrade” dele e logo voltaremos com as atividades a 100%! Não é uma exigência/obrigatoriedade ser aluno do PAE, mas ajuda a manter a rotina de estudos e de produção acadêmica para que, ao se deparar com o Calepa, não seja surpreendido no todo. Queremos e pensamos em fazer mais, mas para isso precisamos de apoio e, principalmente, de adesão a essas ideias.

Para finalizar este post, vou fazer uma pequena declaração que, acredito, nunca ter contado a ninguém. Assim que recebi o Grau Capela e, consequentemente, me tornei um aluno do PACC, recebi um e-mail pessoal do meu querido Ir. André Sarkis. O e-mail era curto e dizia assim:

Irmão Yan, tudo bem?

Recebi aqui o protocolo da sua investidura ao grau de Cav. da Capela! Envio este email apenas para parabenizá-lo ao ingresso do IRCB (Ilustre Rito da Cavalaria do Brasil) e dizer que espero que se empenhe tanto pelo estudo dos graus filosóficos quanto se empenha pela ritualística capitular.. Desejo sucesso nesta nova jornada! Aguardamos seu trabalho PACC!

Abraços fraternais,

André Sarkis
Comissão Nacional de Org. Filiadas e Paralelas – SCODB

Imaginem, pois, a pressão que senti! Tive muito medo de fracassar e de decepcionar essa expectativa gerada e, por isso, pasmem!, demorei quase um ano para concluir meu trabalho do Capela. Tudo bem, em grande parte eu demorei porque realmente estava muito aterafado com os problemas estaduais e, principalmente, porque não sabia quando iria prosseguir no IRCB – uma vez que o Piauí nem possui todos os Graus Históricos ainda. Mas que eu me senti intimidado, isso é fato. O resultado é que meu trabalho do Capela ficou um tanto quanto grande e detalhado e, princpalmente, fui aprovado! Os comentários dos corretores me incentivaram e desta vez fiz em 04 dias o trabalho do Salém, com menos de 15 dias de ter recebido Grau. Aliás, enviei nesta madrugada o trabalho, que ficou um pouco maior que o primeiro. E isso tudo eu devo tão somente a empolgação que sinto ao estudar e produzir a cerca dos conhecimentos de nossa Ordem. Ao Ir. Sarkis, que mesmo sem saber disso ou que essa simples mensagem ia repercutir tanto, meu sincero “Obrigado!”. Devo grande parte da minha motivação a esse desafio que você me propôs.

Por hoje é só, aguardo os comentáiros de vocês e, no que precisarem, por favor, contem comigo (prometo contar depois a vocês se fui ou não aprovado no Salém)! Deixo aqui um registro que no 19º CNOD, em Brasília, com o querido Tio Pat King, autor legítimo e legal do IRCB.

2 comentários em “O que eu penso sobre o PACC

  1. Quem acha que o PACC é desnecessário, ou que não agrega cultura e conhecimento (…), precisa fazer uma das provas do Yan.

    Provas essas, aliás, que devem ser ainda melhor elaboradas a partir de agora, que nosso MCN-Adjunto prodígio começou a trilhar o IRCB.

  2. Muito bom o texto Irmão Yan, concordo plenamente com a sua colocação. Realmente é cobrado muito pouco dos jovens no grau Iniciático e DeMolay e então quando chegamos ao Capela nos deparamos algo que não é tão difícil, porém inicialmente assusta!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s