Afinal, o novo sempre vem

Em uma de minhas recentes leituras jurídicas, estudei sobre o argentino Luís Alberto Warat, professor da UnB e crítico veemente do Direito Moderno, que veio a falecer em dezembro de 2010. Sua postura e sua teoria jurídica ficam para uma análise em outro contexto, vamos abordar aqui apenas um aspecto que ele despertou: uma análise sobre o novo.

Novembro começa e 2013 se aproxima com maior velocidade. Nos Capítulos, é chegada a hora de se realizar eleições para escolha dos próximos líderes Capitulares. Na maioria, também é época de Iniciações e Cerimônias Públicas. Logo mais, as confraternizações de final de ano. Além de época de vestibulares, para os vestibulandos e fim de período, para os já universitários. É, portanto, uma típica época de conclusões, de fins, mas… Por que, então, estamos falando do novo?

Escrevemos, hoje, sobre o novo porque todo fim é sinônimo de recomeço, de renovação. Ao eleger a tríade Capitular, por exemplo, estamos desejosos da renovação de nosso Capítulo. Não significa que a atual diretoria não seja boa, mas que é chegada a hora de outros Irmãos serem postos à prova na frente do Capítulo para que possamos ver o que eles têm a nos oferecer e que caminhos o Capítulo poderá seguir. Vejam, portanto, que o novo também é um tanto que inesperado, múltiplo e plural.

Não sabemos o que virá com o novo. Todo começo esconde uma arte: a arte de ser libertador. São muitos os caminhos que podem ser seguidos, as metas que podem ser postas como prioritárias e, principalmente, o modus operandi adotado. É esse “como fazer” que determina muita coisa: em especial, aquilo que colheremos do que está sendo plantado. A vida e o mundo possuem seu equilíbrio harmônico e tudo o que fazemos (incluindo como fazemos) irá ressoar (refletir) em algum lugar, de uma forma positiva ou nem tanto.

O novo nos traz o medo e o desconforto da insegurança. Passamos a ficar em um território desconhecido e não sabemos, efetivamente, o que virá. Por não saber o que vai vir, não sabemos como vamos agir e assim se desencadeia todo esse ciclo de múltiplas possibilidades. Podemos ser motivados a inovar com o novo ou simplesmente manter-se ao máximo dentro do estatuído. Mas como ser o mesmo se o contexto já não é igual? Até mesmo “começar de novo não é repetir o velho exatamente igual ao que sempre foi” (Warat).

O que sei e o que me dá forças sempre que me deparo com o novo é que há algo em mim que não muda. É aquilo que resiste ao novo, que aprende com o novo, que cresce quando posto à prova, que fez e faz de mim um novo homem. Falo, é claro, dos ensinamentos da Ordem DeMolay. Esses ensinamentos mais radicais que estão no cerne de qualquer formação cidadã voltada para o bem – pessoal, social, familiar, estudantil etc. São com esses ensinamentos e com a certeza da minha fidelidade a eles que o novo não me assusta tanto: sei que vou confrontá-lo seguindo certos princípios de uma vida reta e, portanto, o feedback a tudo que fizer também deverá ser bom.

Devemos, portanto, como DeMolays, agir sempre com esse “mínimo ético” que é esperado de nós, de forma a que podemos sempre recomeçar, mas estando sempre sendo bem vistos aos olhos do homem de bem. Dad Land, sabiamente, disse que “é o começo que importa” (tradução livre). Ao falar isso ele expressou muito mais do que sensibilidade poética: ele valorizou essa oportunidade que nos é dada com o novo. A Ordem DeMolay é um novo começo, um novo início (“Iniciação DeMolay”) que nos é ofertado! Além de que, quando chegamos na Ordem, também estamos no começo de nossas vidas (jovens, entre 12 e 21 anos). Não há, portanto, melhor época a ser aproveitada do que essa quando estamos totalmente suscetíveis ao aprendizado e à formação de nosso caráter – é nisso que a Ordem vai trabalhar. Se começarmos bem, que mal poderá nos atingir?

Não espero estar sendo inocente por demais, mas acredito piamente no que escrevo. Longe de uma visão maniqueísta da vida, creio que por mais que possam surgir “pedras no caminho”, a caminhada se concretiza com a escolha de como conduzi-la. Na Ordem, temos muitos a nos aconselhar e a apoiar em nessa caminhada. Como Warat propõe:

O encantador de tudo isso, ainda que soe contraditório, é que ninguém pode fazer tudo isso sozinho, precisa de algum outro, de um parceiro para dialogar… Todo começo esconde um outro. (…) Preciso sempre do outro que me ajude a aprender a começar.

E é neste ponto que retomamos a questão de exemplos que a Ordem nos traz. O outro, além de um Irmão Companheiro que dá conselhos ativamente, serve como exemplo, como os passos a serem seguidos. É o Irmão ao qual podemos fazer nossa luz brilhar (Cerimônia das Luzes: “Se puder fazer esta luz brilhar sobre outra pessoa…”). Podemos construir, portanto, a noção de um novo coletivo que a Ordem, a cada dia, luta pela construção e pela solidificação, em que somos “inabaláveis em defesa dos ensinamentos de nossa Ordem” e procuraremos “perpetuá-los em nossas vidas diárias”!

Eu estou disposto a enfrentar o novo… E você, preparado?! Não se assuste, porque, afinal, o novo sempre vem.

Uma boa semana, um bom mês, um bom recomeço a todos vocês.

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